Epílogo: Como areia na praia, nosso tempo passou
Querido ex-amor,
Já senti saudade, ou talvez ainda sinta. Felizmente não me pego pensando sempre em você, só algumas vezes. Por hábito, talvez. Tantas histórias, quanto amor ali! Tivemos um grande erro: fizemos tudo muito depressa. Lembro que fomos uma vez no show da Paula Toller e ela cantou "Grande Hotel".
Me pego pensando agora que ela cantou para nós, meio bruxa-artista, na estrofe "se a gente não tivesse tudo tão depressa, se não dissesse tudo tão depressa, se não tivesse exagerado a dose, podia ter vivido um grande amor".
Eu tenho certeza que eu vivi um grande amor! Tenho certas dúvidas de seus sentimentos, mas de repente é só a tristeza e a raiva que as vezes tomam meu coração maduro, já tantas vezes sofrido, e sempre esperançoso do novo amor ser aquele último e duradouro.
Ah, te amei! Muito, e tanto e sempre.
Lembro como hoje a primeira vez que te vi, um misto de curiosidade, medo e desconfiança de saber quem você era. Culpa sua e de suas fantasias. Fantasias reais, não somente as mentais, mas com certeza um misto de ambas.
Sempre falei que você deveria fazer terapia, mas da mesma forma que você sumiu de mim, sumiu também da terapia. Não te critico, ex-amor, era seu jeito de lidar com as dores: fugindo delas.
Mas, voltamos nesse dia fatídico de Novembro, pleno calor no Rio de Janeiro, e vc de traje completo. Todo mundo te olhava - ah, você gostava de ser notado. Eu não fui falar com você. Tive vontade mas não fui. Minhas amigas riram de você, mas eu senti algo.
Quando meu primo chegou, ele quis falar com você e aí eu fui. Intrigada, desconfiada (eu sou assim mesmo), meio que à força. Mas eu senti algo. Eu te contei que senti. Trocamos contato. Quase até te dei carona p ir embora, mas eu não dou carona para estranhos, e ali era p que éramos. E assim ficamos por mais um ano.
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